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Boa notícia: você consegue meditar!

Você já teve interesse em saber mais sobre meditação, mas achou que é só para gente muuuito zen?

Você não precisa virar um vegetariano chato e nem vestir roupas estilo Nova Era, nem precisa ouvir músicas alternativas e muito menos raspar sua cabeça. 

Você também não precisa desapegar de tudo e mendigar nas ruas, como os monges faziam na antiga cultura oriental, quando ter este comportamento de total desapego e meditar fazia com que os monges fossem vistos como santos.

Não é por aí!

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Mas, se você se arrisca a meditar, o que pode acontecer?

Assim que você se engaja numa nova “prática virtuosa”, surgirá lá no fundo de sua mente um senso de singularidade, de ser especial e melhor do que aqueles que não seguiram o mesmo caminho…

"Uau, como sou uma pessoa bacana”!

Já ouviu falar de fascismo? Ele surge assim na nossa mente. E quando isso acontece, sua prática espiritual virou um obstáculo na sua vida, e seu Ego se apossou dela. Também não é por aí...

Se você deseja praticar meditação, ninguém precisa ficar sabendo, por favor, seja discreto. Seja autêntico e continue sendo você mesmo. Não precisa virar um ser excêntrico!

E esse é o caminho... 

Mas ainda vou te oferecer algumas dicas que poderão se incorporar no seu atual estilo de vida e você não precisará nem mesmo sentar em posturas de meditação.

Existe a prática de meditação formal e informal.

A formal é aquela que você tira lá uns 20-40 minutos de seu dia para meditar. Alguns meditam 2 horas ou mais, tudo bem.

A prática informal é feita no improviso frente às tarefas do cotidiano.

Nós, amantes e defensores da meditação, acreditamos que a prática formal é a mais poderosa. Tem uma força inquestionável, mas reconheço que não é qualquer pessoa que consegue. Entenda que você pode praticar fazendo quase qualquer coisa. Estes exercícios na vida diária são a prática informal, aquela que você não precisa mudar o andamento natural de seus afazeres. Alguns professores/mestres espirituais como Eckhart Tolle, por exemplo, são defensores da prática informal e chegam a dizer que você não precisaria meditar formalmente.

Vamos então para as dicas de prática informal:

  1. Tenha consciência da “voz” dentro da sua cabeça, a mente tagarela, o Eu-pensador. Não julgue e nem brigue com estes pensamentos, por pior que eles possam parecer, aceite-os com naturalidade. Se eles parecerem muito dolorosos, brinque com eles, faça chacotas, mesmo que eles sejam aparentemente trágicos ou catastróficos, isto te ajudará a não levá-los tão à sério – Imite-os com uma voz engraçada, ou remede-os como uma criança implicante! Quase sempre, estes pensamentos são inúteis, não te ajudarão em nada.
  2. Em alguns momentos do dia perceba sua respiração, alinhe a sua postura, relaxe os ombros e sinta seu corpo.
    Perceba você por alguns instantes. Faça isto quando estiver à toa ou aguardando algum atendimento. Sinta sua presença física e mental, tome consciência de que você está ali, naquele lugar. Perceba todos os fenômenos externos (sons, barulhos, odores, objetos, cores); os corporais (tato, vento, temperatura, formigamentos, vibração, tremores, dormências, dor, respiração); e os processos mentais (emoções, sentimentos, aflições, sensações, pensamentos).
  3. Corrija de tempo em tempo sua postura. Sempre que lembrar, levante o corpo e fique ereto conscientemente. Adote uma postura que lhe lembre dignidade.
  4. Perceba as coisas e os eventos do mundo a sua volta sem tocar em nada. Simplesmente observe! Deixe as coisas como estão/são. “Não toque em nada”!
    Assista a tudo como um telespectador, como algo que observa.
  5. Abandone de vez em quando a ideia de um Eu que tem uma história, passado, futuro, profissão, títulos, fama, bens, família, amigos, etc. Seja somente esta coisa que contempla, que percebe o mundo à sua volta.
    Se preferir pode fechar os olhos, em algumas situações poderá facilitar.
  6. Imagine que você não soubesse o que é futuro, nem mesmo daqui há 1 minuto, e que ao mesmo tempo estivesse com amnésia e todo seu passado fosse apagado. Faça como as crianças muito pequenas que não compreendem o que é o futuro, elas não se preocupam com o amanhã. O que sobra? O que lhe resta?
  7. É bem provável que sua mente tagarela diga em seguida: “Ok, agora já chega!”, ou então, “Que coisa idiota!”, ou ainda, “Será que vai demorar para eu ser atendido…”.
    Tudo bem, é assim mesmo, aquietar a mente exige bastante treino, continue tentando.

Você deve estar aí se perguntando, mas porque isto é uma má notícia?

Porque a partir de agora, você não terá mais a desculpa de que não consegue meditar. E o seu Ego detesta isto, porque ele adora a postura de vítima!

Diga então: “eu não quero meditar”, e aceite isto se este for o seu caso.

Meditação é contemplar, observar, perceber sem julgar e sem fazer comentários. Mas se o comentário surgir, aceite isto também e não esperneie por dentro. É uma percepção pura, com uma aceitação desapegada dos fenômenos oferecidos pelo momento presente.

Para aprofundar neste estilo de prática, recomendo os livros:
Paz a cada passo – Thich Nhat Hanh
O poder do Agora – Eckhart Tolle

 

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